A 1 de Outubro de 2026 celebra-se o Dia Mundial da Música!
Outubro chegou e trouxe com ele os dias mais pequenos, mais cinzentos e mais chuvosos… O que muita gente não sabe é que no 1º dia deste mês se celebra o Dia Mundial da Música 🎵 Pois é! Se não sabias desta informação, não te esqueças de honrar este dia com as tuas playlists favoritas a tocar on repeat!
Quer o teu gosto musical passe pelos hits “rockeiros” dos Led Zepplin ou dos Gun’s and Roses ou prefiras uma banda sonora com um pop ou jazz mais calmo, ficamos curiosos em saber se a música que pões a tocar em casa pode ou não estar a afetar as tuas plantinhas 🪴 Será que elas também têm as suas preferências musicais?
Os diferentes estilos musicais podem influenciar o desenvolvimento das plantas?
Esta questão tem ocupado a agenda de alguns cientistas ao longo dos anos, numa busca por tentar perceber se os diferentes estilos musicais poderiam afetar o desenvolvimento das plantas, promovendo-o ou inibindo-o.
Sabendo que os seres humanos conseguem prececionar os diferentes sons e estilos de música, graças aos ouvidos, estruturas que captam as ondas sonoras que são, posteriormente, processadas pelo cérebro, será que também as nossas plantinhas distinguem os diferentes estilos musicais?
Apesar de Dorothy Retallack, num estudo feito nos anos 60, juntamente com o seu orientador Dr. Francis Broman, ter verificado que plantas sujeitas à música de Bach ou Schoenberg (“soft classical music”) apresentavam um crescimento próspero, enquanto que as que “ouviam” música de Led Zepplin ou Jimi Hendrix demonstravam uma atrofia no seu crescimento, veio-se a detetar alguma falta de rigor científico que poderá ter enviesado estes resultados (Chamovitz, D., 2012).
Noutros estudos feitos neste âmbito, por exemplo com Tagetes erecta ou sementes de milho, verificou-se que o facto das plantas estarem sujeitas a música não evidenciava, por si só, um claro efeito no seu desenvolvimento, estando, por vezes, este, relacionado com outros fatores ambientais (Chamovitz, D., 2012).
Mas isto significa que o som não tem qualquer influência nas plantas?
Se é verdade que não existe evidência científica suficiente para dizer que o desenvolvimento e crescimento das plantas é diretamente impactado por diferentes tipos de música, estudo recentes (SharathKumar, M. et al., 2026) revelam que as nossas verdinhas reagem, sim, a estímulos sonoros! E que elas próprias podem emitir sons que funcionam como bons indicadores da sua atividade fisiológica!
Embora as plantas, por motivos evolutivos, não tenham adquirido características que lhes permitissem “ouvir” no sentido tradicional da palavra, como os animais, a verdade é que foi possível observar que certos sons da natureza têm, de facto, um impacto no seu desenvolvimento. As plantas são capazes de percecionar as vibrações ou alterações ambientais provocadas por sinais sonoros (SharathKumar, M. et al 2026; Gagliano, 2012; Berardi, 2017).
Em 2012, num estudo feito pela professora Monica Gagliano, verificou-se que as raízes da planta da ervilha cresciam em direção aos sinais acústicos de água corrente. Isto abriu a possibilidade de as raízes serem atraídas pelo som da água e, por isso, afetadas por este!
O mesmo foi possível verificar com o som das asas de insetos polonizadores, como as abelhas, tão importantes para as plantas, como sabemos! Após a exposição das plantas a estes sons, foi possível verificar que as que foram expostas produziam um néctar mais doce do que as que foram mantidas em silêncio (Chamovitz, D., 2012), o que poderá indiciar que as plantas reagiam a estes sinais acústicos e adaptavam o seu néctar para que fosse mais atrativo para estes insetos!
Dá música às tuas plantas!
Abre-se assim, recentemente, a possibilidade de as plantas responderem a estímulos acústicos, em particular a alguns sons da natureza!
Quanto aos estilos musicais, para já, podes ficar descansado(a)! As tuas plantas não se irão importar com a música que ouves, uma vez que são bastante ecléticas e não têm uma preferência clara eheh!
Na dúvida, podes sempre dar-lhes a ouvir o álbum Mother Earth’s Plantasia de Mort Garson, um disco que advoga “ajudar as plantas a crescer com amor” , criando um ambiente perfeito de descontração ! Ideal para as tuas plantas e para abrandares da correria do dia-a-dia!
Desejamos que este Dia Mundial da Música seja celebrado com aquela boa música que te faz saltar do sofá, dançar e cantar como se ninguém estivesse presente! Boa celebração! 

A nossa recomendação: Mother Earth’s Plantasia, Mort Garson

O álbum Mother Earth’s Plantasia de Mort Garson foi lançado em 1976 nos Estados Unidos. Foi um disco pioneiro no âmbito da música eletrónica, uma vez que foi composto recorrendo inteiramente a um sintetizador Moog. Garson imaginava a música deste álbum como uma forma de cuidado – com melodias “quentes” e ritmos suaves, é uma música dedicada ao “crescimento das plantas com amor e àqueles que as amam”
O facto de não ter tido, inicialmente, uma distribuição alargada fez com que durante algum tempo ficasse alheado do conhecimento do grande público. Foi apenas em 2019 que foi reeditado em formato vinil, conduzindo a uma redescoberta moderna do álbum. A edição física de 2019 é ainda acompanhada por um livro com alguns cuidados a ter com as nossas plantinhas e com um cartão feito de sementes que poderás plantar!
Sobre o álbum:
https://plantwave.com/en-pt/blogs/blog/plantasia-mort-garson?srsltid=AU7gw4UOnwhWVY-y4nG0ZlByuXuwPnETTEBkkijC70uI1pqtgVoB1iJE
Onde podes ouvir: https://open.spotify.com/intl-pt/album/0NJRPgK15C8qoLuQv1hChv?si=l20l6uDYSyqvr1_HKS-c_A
Bibliografia:
Chamovitz, D. (2012), What a plant knows: A field guide to the senses, Scientific American/Farrar, Straus and Giroux;
SharathKumar, M., Bieling, T. J., de Klerk, B. B., Dutta, S., & Verbiest, G. J. (2026), Tuning into plant ultrasonics: Can acoustics enable smart agriculture?, Computers and Electronics in Agriculture, 254, Article 112274. https://doi.org/10.1016/j.compag. 2026.112274
Monica Gagliano, Stefano Mancuso, Daniel Robert, Towards understanding plant bioacoustics, Trends in Plant Science, Volume 17, Issue 6, 2012, Pages 323-325, ISSN 1360-1385. https://doi.org/10.1016/j.tplants. 2012.03.002. (https://www.sciencedirect.com/ science/article/pii/S13601385120005 44)



